Mostrando postagens com marcador primeiras impressões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador primeiras impressões. Mostrar todas as postagens

3.10.2013

Estou!

Este é o primeiro post - já muito atrasado e criado um pouco à força - do meu diário de bordo em Lisboa. A ideia é contar um pouco do que tenho visto, vivido e sentido por aqui. Espero, para o bem da minha memória de peixe, conseguir manter os posts até o fim do intercâmbio. Para dar uma breve contextualizada para um possível-curioso-leitor-anônimo, preciso dizer que sou aluna de Ciências do Estado na Universidade Federal de Minas Gerais e fui selecionada para um programa de intercâmbio em Lisboa, na Universidade Técnica de Lisboa, por seis longos (ou não) meses. Por uma benção divina, não fui a única selecionada: junto comigo vieram a Luísa e o Rodrigo que, sem dúvidas, serão personagens importantes das minhas histórias por aqui.

Ah, só pra explicar o título do post: é assim que os portugueses dizem "alô" quando atendem ao telefone/interfone (aguardem por mais um milhão de exemplos das diferenças entre o português de Portugal e o brasileiro). É isso, mãos a obra!

Chegamos em Lisboa há pouco mais de um mês, no dia 06 de fevereiro. Nossa chegada foi tranquila e muito menos conturbada do que eu pensei que seria. Ainda no Brasil conseguimos negociar para ficar hospedados na casa de colegas que estavam aqui terminando o intercâmbio que haviam começado no segundo semestre de 2012. Por 9 euros/dia ficamos hospedados no coração boêmio de Lisboa: o bairro alto que, em uma comparação meio besta, é como se fosse a Savassi de Belo Horizonte. Um lugar que, além de concentrar boa parte da vida noturna de Lisboa, é muito acessível e bem servido de transportes, o que nos foi muito útil na maratona em busca da casa perfeita. Outra vantagem de ter ficado por lá foi ter recebido a assistência da Fabíola (menina que dividia a casa com as nossas colegas do Brasil), que nos deu muitos e bons conselhos. O melhor dos conselhos foi a orientação de como solicitar o cartão Viva Lisboa, que é o passe mensal de ônibus autocarro e metrô metro daqui. Com o Viva Lisboa podemos fazer uso ILIMITADO de toda a rede de transportes da Carris (a BHTrans de Lisboa. Mais uma comparação meio besta e, dessa vez, muito grosseira, mas didaticamente útil hahaha): posso pegar quantos autocarros quiser, quantos metros quiser, quantos elétricos (são esses 'bondinhos' super simpáticos da foto do template do blog) quiser, e pago por isso apenas 35 euros por mês.

Taí a primeira maravilha de Lisboa: transporte público. Pobres de nós belo horizontinos e, nesse caso, até me arrisco falar aqui como todo cidadão brasileiro: nós definitivamente não sabemos o que é um sistema eficiente de transporte público. É coisa linda de Deus, é o que te faz pensar 30 vezes antes de comprar um carro e ter que lidar com as suas respectivas dores de cabeça. As linhas de metro cobrem uma enorme parte da cidade, e as linhas de ônibus te levam pra todos os lugares com muita pontualidade e conforto. Pra vocês terem uma noção, praticamente todos os pontos tem um visor que informa em quanto tempo chegará a próxima carreira de cada linha que passa por aquele determinado ponto. Quando não se encontra esse visor, há, em cada ponto de ônibus, um número para o qual podemos mandar um SMS do celular e recebemos, instantaneamente, uma resposta com as linhas de ônibus e o tempo que demorarão para chegar naquele ponto. O que significa que antes de sair de casa pra ir pra faculdade, por exemplo, posso mandar uma mensagem pro meu ponto para saber exatamente o tempo que o ônibus levará para chegar. O mais incrível é mesmo o preço que o cidadão lisboeta paga pra ter tudo isso. Como já disse ali em cima, o passe mensal custa 35 euros, o que seria equivalente a aproximadamente R$101,00. Com R$101,00 por mês, eu conseguiria pegar, em Belo Horizonte, 36 ônibus (a passagem está custando R$2,80). Para ir e voltar da faculdade, de segunda a sexta, eu precisaria de pegar 40 ônibus, ou seja, eu não conseguiria ir para a aula todos os dias. E isso porque moro a 4km da faculdade e só preciso pegar um ônibus para chegar até lá, imagina a situação de quem precisa pegar 2 ônibus, né. A realidade do cidadão de Lisboa, nesse ponto, está mesmo muito distante da nossa realidade ai no Brasil. Só não posso ficar mal acostumada, ops, tarde demais.

Não quero que esse post fique muito grande, mas está quase inevitável. Vou tentar dividir essas primeiras impressões em dois posts, acho que pode ser melhor. Para terminar por aqui preciso dizer sobre a beleza de Lisboa: roubou o posto do Rio de Janeiro e de Montevidéu no meu ranking de cidades bonitas e queridas. Lisboa é uma cidade muito linda, a mais linda e charmosa que já vi passar. É até um pouco difícil de explicar qualéquié a da beleza daqui, mas isso tá escancarado nas fotos que venho tirando. A arquitetura antiga, as praças que brotam em quase toda curva que se faz, o charme das ladeiras, das sobreposições de construções, das linhas e fios de passagem do elétrico, dos pombos e gaivotas tudo-junto-e-misturado, dos jogos de luz e sombra que o sol e as nuvens fazem por aqui, enfim. É muito pobre explicar isso com palavras e imagens.

Lisboa tem uma beleza que se vê com os olhos e se sente com o corpo. Coisa de doido! É uma ginga (bem diferente da brasileira, é verdade) gostosa, discreta, um sonzinho abafado, um cheirinho de sopa, uns pasteis de belém, uma escadaria aqui, uns bigodes dos Manuéis, os cabelos bem ventados (por favor, me concedam essa licença poética) e indiscretos, uma calçada portuguesa ali, um rio tejo acolá, e praças, praças e mais praças. É bonita demais mesmo, bonita pra caralho e pronto acabô.

Até a próxima e, como dizem os 'tugas, beijinhos!

ps: Pedro, obrigada pelo template, amigo. Você sabe que isso é quase um rito de preservação da nossa amizade, né? risos.